Saiba mais sobre a Nutrologia - Leandro Menezes

Saiba mais sobre a Nutrologia

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Ano após ano, é necessário alertar a população quanto à conscientização sobre a situação atual dos nutrimentos e a evolução dos hábitos alimentares. Enquanto de um lado é preciso dar atenção aos problemas de fome, pobreza e desnutrição mundial, do outro é necessário cuidado com o imenso crescimento dos casos de obesidade. O momento é de reflexão pelo equilíbrio nutricional. Precisamos atentar, mais uma vez, sobre a essencialidade de elevar a produção alimentar no mundo, além de reforçar a importância de diminuir as desigualdades sociais e as dificuldades de acesso aos alimentos. Em contrapartida, são necessárias mais políticas públicas contra o aumento da obesidade e a aplicação de tratamentos medicamentosos para controle da doença, que hoje já é um problema mundial.

Vamos refletir primeiro sobre a ausência de alimentos saudáveis e essenciais nas dietas de toda população. Sabemos que vários fatores podem agravar ainda mais a situação da fome mundial, sendo o principal deles o crescimento previsto da população. Para atender a estes novos comensais, calculou-se que a produção mundial de alimentos terá que crescer cerca de 40% nos próximos 20 anos. O que fazer sobre isso?

Embora o crescimento populacional seja o mais sério fator diante da necessidade de alimentos, há outros aspectos estressando ainda mais a gravidade do cenário. Existem, por exemplo, três bilhões de pessoas novas migrando para um degrau superior da pirâmide alimentar e que, agora, estão consumindo mais carne, leite e ovos. Para produzir novos estoques dessa proteína, serão necessários novos estoques de grãos. Assim, em nossa opinião, somente o uso do conhecimento científico e das inovações dele decorrentes permitirão que o mundo resolva a atual problemática dos alimentos. Será preciso adotar culturas agrícolas que possam crescer em solos salinos, em regiões secas ou passíveis de inundações. Tais culturas também precisarão resistir a ataques de pragas e ser tolerantes a herbicidas, para que as aplicações de agroquímicos sejam reduzidas ao mínimo.

Agora, analiso o outro lado da balança. Segundo o Ministério da Saúde, em 2006, 47,2% dos homens e 38,5% das mulheres estavam acima do peso, enquanto em 2011 as proporções passaram para 52,6% e 44,7%, respectivamente. Em 2011, a Anvisa proibiu a comercialização dos medicamentos anorexígenos utilizados para o controle da doença. A taxa de crescimento sobre a incidência da obesidade, que era de 0,83% ao ano, há dois anos, passou para 4,5% ao ano, em 2012 e 2013, o que pode indicar ainda maiores dificuldades dos pacientes na perda de peso.

A proibição desencadeia graves problemas de saúde pública na população brasileira, com o aumento real dos casos de comorbidades associadas à obesidade. Além disso, a pessoa com a doença sofre muita discriminação, seja no trabalho, na escola ou em outros meios de convívio social. O drama desses nossos pacientes nos choca. É preciso rever essa decisão e esse é um alerta importante. Como médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, que representa diversos especialistas do País, também é meu dever auxiliar a população com informações corretas sobre os alimentos e seu consumo, e a melhor forma de se conseguir uma boa saúde e bem estar físico e psicológico. Nós, médicos nutrólogos, nos dedicamos ao diagnóstico, tratamento e principalmente prevenção de doenças provenientes do comportamento alimentar. Sendo assim, acompanhamos a rotina de nossos pacientes e observamos como a alimentação é a base primordial de uma saúde adequada.

Demonstramos nossa obrigação em preocupar-nos com o crescimento populacional que pressiona a oferta de comida, que também comprova a urgência de se produzir mais e distribuir melhor o estoque mundial de alimentos. Também, por outro lado, continuaremos na luta contra a obesidade. Com isso, só podemos concluir que os hábitos devem ser os mais equilibrados possíveis.

Fonte: ABRAN: Associação Brasileira de Nutrologia. Escrito por: Dr. Durval Ribas Filho, médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia.

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